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Se o LinkedIn tivesse um festival, ele seria o Cannes Lions

Cannes tem 72 anos. Inspirado no festival de cinema, nasceu quando a publicidade começou a contar histórias tão boas quanto filmes, e também queria esse reconhecimento.
Mas, ao longo das últimas décadas, o festival foi se expandindo para além dos belos filmes: multimídia, ideias, propósito, dados, creators, IA… quase tudo rsrs. E talvez quase nada.
🖊️ Aqui, reunimos algumas das principais discussões que vimos na edição deste ano e o que elas deixam de aprendizado.
(1) O fim do influencer marketing.
Mas como assim, se o evento contou com 250 creators? Porque o influencer agora precisa descer no funil, e por isso ganhou um novo nome: “creator commerce” — o investimento deve chegar a US$ 12,4 bi este ano nos EUA. Dentro da creator economy, o tema que chamou atenção foi: reach vs. devotion. O que diferencia um creator é a devoção que ele gera.
💭 To reflect: Creator está no seu plano de mídia ou no seu plano de negócio?
(2) Você não toca violão bem só porque é bom no Guitar Hero.
Ponto feito por Fernando Machado, CMO da Chipotle. Criatividade vs. IA foi outra grande pauta no evento. Pessoas defendendo a generalidade como o maior inimigo da arte. Outras falando sobre o que a IA não consegue fazer… principalmente a partir do estudo lançado pela Havas, que mostrou que 84% das marcas sofrem de indiferença.
💭 To reflect: Nós estamos criando com IA ou só terceirizando o gosto para ela?
(3) IA é o novo media buyer.
Essa é uma coisa que a IA vai conseguir fazer: entrar no processo como ferramenta. Os agentes de IA também foram um dos tópicos do evento, principalmente com a estreia da OpenAI em Cannes. Teremos um novo segmento chamado B2A (business-to-agents)?
💭 To reflect: Se a IA compra mídia, já estamos estudando como lidar com esse novo cliente?
(4) Dados + creators = poder.
Com base nos últimos M&As do nosso mercado, essas parecem ser as grandes apostas ilustradas no festival. A Publicis comprou a LiveRamp, reforçando sua aposta em dados first-party. A Accenture Song comprou a Whalar, entrando no universo dos creators. A Omnicom está integrando a aquisição de US$ 9 bilhões do Interpublic Group.
💭 To reflect: O humano ainda é único e o comportamento dele continua valioso. O quanto o seu olhar de negócios, principalmente depois da IA, está de fato olhando para isso?
(5) O que diferencia uma marca quando produto, preço e alcance estão nivelados?
A resposta pode ter vindo de um palco da Spotify Beach: “The attention economy is out. The connection economy is in.” Vencem as marcas que deixam de ser one-sided e constroem conversas, relacionamentos e confiança com seus consumidores.
💭 To reflect: O quanto ainda estamos presos a métricas de vaidade, como seguidores e impressões, em vez de olhar para a grande moeda do mercado: confiança?
(6) Um grande roadshow de negócios.
Ficou mais fácil comparar o festival ao LinkedIn do que os jogos olímpicos da criatividade. Menos sobre julgar e reconhecer as artes apresentadas. Mais sobre relacionamento, veículos fazendo pitch e plataformas tentando capturar verba de anunciantes. No fim, muita gente sentada assistindo conferência genérica atrás de conferência genérica falando sobre o que a IA precisa. “A IA precisa de humanidade.” Isso não é mais um insight.
💭 To reflect: Quais são, de fato, as ações que fazemos no dia a dia que geram resultado?
No fim, independente do que Cannes era e do que se tornou, ele ainda é o maior festival do nosso mercado. Pode ter mudado, mas segue sendo um lugar que faz a indústria parar, olhar para si e sair com algum aprendizado.
Parabéns para quem saiu com Leão, e também para quem só acompanhou de longe e saiu com um bom insight. Afinal, talvez Cannes não seja mais só sobre reconhecer a arte, mas sobre criar o ambiente para que ela nasça.
Até o ano que vem.
